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Projetos solares em Évora: Hyperion aponta investimento de 650 milhões e reconhece impactos
Dois dos três projetos de grandes centrais fotovoltaicas previstos para a zona norte e nordeste de Évora representam um investimento estimado em 650 milhões de euros. Em causa estão a Central Solar Fotovoltaica da Graça do Divor, promovida pela Hyperion Renewables Évora, e a Central Fotovoltaica Sol de Évora, promovida pela Newcon40 e cujo desenvolvimento é acompanhado pela Hyperion. Os projetos incluem painéis fotovoltaicos, sistemas de armazenamento, subestações e ligações à rede elétrica nacional.
Diogo Trindade, diretor da Hyperion Renewables, explica que os dois projetos poderão produzir, em conjunto, cerca de mil e quatrocentos gigawatt-hora de eletricidade renovável por ano.
A estimativa apresentada pelo responsável aponta para uma redução anual superior a 270 mil toneladas de dióxido de carbono.
Estão também comprometidos cerca de 59 milhões de euros para reforçar a infraestrutura elétrica nacional.
A capacidade de ligação à rede deverá estar disponível no final de 2030. A empresa admite começar a construção na segunda metade de 2028, prevendo dois anos de trabalhos.
Entre os benefícios para a região, Diogo Trindade aponta um contributo direto de nove milhões de euros para os municípios, ao abrigo da legislação em vigor.
A empresa está ainda a estudar a criação de unidades de autoconsumo coletivo, destinadas a reduzir a fatura de eletricidade dos consumidores abrangidos.
Durante a construção, poderão ser criados cerca de 800 postos de trabalho.
A dimensão das centrais tem, contudo, suscitado contestação.
Entre as preocupações manifestadas estão a alteração da paisagem, os efeitos sobre o património, a participação das populações e o impacto acumulado dos vários projetos previstos para o mesmo território.
Diogo Trindade reconhece que as centrais terão impactos e afirma que as preocupações devem ser avaliadas durante o processo de licenciamento.
O impacto visual é uma das principais questões levantadas.
Segundo Diogo Trindade, o ponto mais próximo das centrais fica a cerca de cinco quilómetros das muralhas de Évora. Grande parte das áreas de implantação deverá situar-se entre seis e dez quilómetros do Centro Histórico, ou a distâncias superiores.
A empresa sustenta que a presença visual deverá ser reduzida e não dominante. Esta é a avaliação apresentada pelo promotor e terá de ser apreciada no procedimento ambiental.
Para limitar o impacto na paisagem, estão previstas cortinas de árvores no perímetro das centrais, sobretudo nas zonas de maior visibilidade.
Os projetos continuam em fase de licenciamento e ainda não têm decisão final.
Diogo Trindade prevê uma nova consulta pública até ao final de 2026, durante a qual poderão ser apresentados contributos e propostas de alteração.
A concretização das centrais dependerá da avaliação de impacto ambiental e das autorizações das entidades competentes.



